História

vista pontevelA freguesia de Pontével pertence ao concelho do Cartaxo, distrito de Santarém, a sua sede situa-se na vila do mesmo nome e tem por padroeira, Nossa Senhora da Purificação, também conhecida por Nossa Senhora das Candeias.

É constituída pelos Casais da Amendoeira, Casais Penedos, Casais Lagartos, Cruz do Campo.
Casais Luízes, Casais das Areias, Casais d'Alcaria, Rosmaninho, Oira, Capeludos e Vale de Choupos.

A freguesia é muito antiga, "Tão antiga como Portugal, senão mais", segundo o Dr.Virgílio Arruda, "in Santarém no Tempo", pois D. Afonso Henriques, já a doara à Ordem de Malta, como comenda, com a Igreja de S. João do Alporão de Santarém, passando então a designar-se Comenda de Ponteval, por ser aqui que os comendadores tinham a sua residência, nome por que é designada até D. Afonso IV. Quanto à sua antiguidade pode-se hoje afirmar que Pontével é de facto mais antiga que Portugal , pois existem testemunhos da presença do Homem em Pontével, desde a Pré-História. Em 2002, foram feitas escavações, no rio da Fonte da Telha, junto a um pilar da ponte da variante E.N.365-2, Aveiras de Cima/Cartaxo.

A intervenção esteve a cargo do CEIPHAR (Centro de Estudo e Investigação Pré-Histórica do Alto Tejo) coordenada pelo Dr. Laurent Caron, e aí foram encontradas peças da Idade do Bronze, tais como lâminas de silex, o fundo de uma lareira e peças de cerâmica que continham restos de comida (ossos de animal de raça caprina).

igreja matrizA existência destes achados, prova que o Homem se fixou em Pontével há milhares de anos, provavelmente atraído pela abundância de águas e pela fertilidade das suas terras.Também o General João de Almeida no Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, afirma que por Pontével passava a via militar romana, que vinda de Lisboa por Alenquer, prosseguia para Santarém, "estando as actuais pontes do rio de Pontével e da Ribeira da Fonte, levantadas sobre as fundações das pontes romanas". Da estrada romana, ainda se encontram vestígios, acima da Fonte da Concha, à Horta d'Ourives, junto ao Pinhal da Rola. Esta via romana está também referenciada no site-viasromanas.planetaclix.pt. "ponte romana de Pontével sobre a ribeira de Pontével, Cruz do Campo, Escaroupim..."

Quanto ao Castelo, segundo o mesmo autor, situava-se no vértice do cabeço, junto á Igreja Matriz, a uma cota de 25 metros e que em meados do século passado, (século XIX) existiam ainda ruínas de uma fortaleza medieval. De facto, passando pela margem esquerda do Rio da Fonte, no sentido poente nascente, mais ou menos a uns 20 metros norte, chegamos ao sopé do morro, onde se vislumbram uns panos de muro de características idênticas às das civilizações castrejas.

Teve Pontével três forais, o primeiro dado por D. Sancho I em 1194, o segundo pelo mesmo rei em 1195 e o terceiro em 1218 por D. Afonso 11. Era uma das mais rendosas Comendas da Ordem de Malta e os párocos apresentados pela mesma ordem, cuja apresentação mais antiga que se conhece é a do pároco Pedro Fernandes, feita em 1302 pelo comendador D. Garcia Martins, prior de ordem de Malta e confirmada pelo Bispo de Lisboa D. João Martins Soalhães.

Do palácio dos comendadores, apenas resta a sua grandeza e alguns lintéis de portas e janelas; cujo edifício fronteiro à igreja, habitação de seu actual proprietário e cervejaria. quanto ao celeiro e armazém situam-se também próximo da igreja, com a fachada principal para a rua Vasco da Gama e a fachada poente, para a praça Serpa Pinto, onde funciona um estabelecimento comercial de materiais de construção.

Um dos mais notáveis comendadores, foi António Botto Pimentel, a quem se deve a reconstrução da igreja Matriz, falecido em 1614 em cujo altar-mor se encontra sepultado em pedra brasonada com as armas dos Pimenteis.

ponte medievalA situação privilegiada de Pontével, entre Santarém, Almoster e Alenquer, tornou-a ponto de passagem obrigatório dos mais altos nobres da corte, tal como a Rainha Santa Isabel que "quando se deslocava de Almoster para Alemquer, passava sempre por Pontével". D. Nuno Alvares Pereira, aqui decidiu tomar o partido de D. João I, Cristóvão Colombo aqui pernoitou quando se deslocava para Santarém após o encontro com D. João II em Vale do Paraíso, em Pontével também se encontraram os exércitos do conde de Abranches e D. Afonso V em 1449, o que levou o Prof. José Hermano Saraiva a referir-se a Pontével, como "a Vila que já foi Capital Política do País."

Foi cabeça de pelo menos três morgadios, um instituído pela família dos Negrões, de que era cabeça a casa situada na rua Frei Manuel da Encarnação conhecida pela casa da Assembleia ou da D. Tátá, que a seguir se refere; o morgadio instituído por Mateus Peixoto Barreto quando fundou o Recolhimento de S. Dâmaso e o morgadio dos morgados de Pontével, da família Bairros ou Barros residentes na Quinta da Fonte da Telha.

Do passado glorioso de Pontével, restam ainda alguns edifícios que foram propriedade ou habitação de nobres que aqui viveram ou passaram os seus tempos de lazer. São casas altas de varandas alpendradas com tecto de madeira suportado por colunas, cujo acesso se faz por uma escada de alvenaria, que caracterizam a arquitectura da nobreza rural, dos séc. XVI, XVII e XVIII.

casa condessaSituam-se no Largo dos Alves, no Largo Mariano de Carvalho, na Rua dos Escudeiros, que pertenceu a primeira e única Condessa de Pontével, D. Elvira Maria de Vilhena, e na Rua Frei Manuel da Encarnação, também conhecida por Casa da Assembleia, que foi cabeça de um morgadio como já foi citado instituído em 1688 por Manuel de Almeida Negrão, Mestre de Campo dos auxiliares de Santarém e familiar do Santo Ofício que se encontra sepultado na Capela dos Negrões, na Igreja Matriz.

Além "destes livros de pedra" onde se pode ler a história de Pontével, encontram-se aqui e ali outros testemunhos, tais como estelas funerárias fragmentos de colunas clássicas, moedas e muito recentemente um portal manuelino que estava oculto numa parede na Quinta da Fonte da Telha, ou Quinta dos Morgados de Pontével.
Os progressos do séc. XIX, tiveram o seu reflexo em Pontével, criando a rede viária Pontével/Aveiras de Cima e Pontével/Reguengo, a inauguração do caminho de ferro Lisboa/Carregado em 1856 e dois anos mais tarde o seu prolongamento até à Ponte d´Asseca (Santarém).

Surge então outro tipo de arquitectura. caracterizado pela utilização do azulejo de importação brasileira a forrar as fachadas, aliado ao ferro das sacadas e clarabóias, cujo melhor exemplo é o conjunto habitacional que pertenceu à família Carneiro, construído em 1847 situada na rua do Reguengo, e que o seu actual proprietário tem orgulhosamente preservado. Trata-se de um edifício do séc. XIX todo forrado a azulejo tipo holandês de importação brasileira muito em uso nessa época rematado por uma bordadura de flores encimado por elementos cerâmicos de grande beleza.

Um outro edifício, contíguo a este e provavelmente de data anterior, apresenta uma robusta fachada de azulejo de motivos geométricos e varandas sacadas em ferro forjado era envolvido por um jardim, delimitado por um muro alto com ameias, a que chamavam o jardim do Craveiro, nome do seu antigo proprietário Domingos Leite Craveiro, que residindo em Lisboa possuía propriedades em Pontével, e aí terá mesmo vivido algum tempo, pois cumpria as suas obrigações religiosas, era irmão da Irmandade do Santíssimo, tendo oferecido o órgão que ainda hoje se encontra na Igreja Matriz.

Elevada a Vila pelo Dec. - Lei 10/91 de 26/7 do mesmo ano, Pontével dispõe de uma situação geográfica privilegiada, a cerca de 60 km de Lisboa, fáceis acessos quer pelo auto-estrada do norte beneficiada agora pela variante à E.N. 365-2 quer pelo caminho-de-ferro de Azambuja, tornaram a povoação não só uma escolha para segunda habitação de férias ou fins-de-semana, mas residência fixa duma população que embora trabalhando nos arredores ou em Lisboa, prefere desfrutar da calma do campo e da beleza das suas paisagens.

A Vila tem hoje condições para satisfazer as necessidades básicas de quem lá vive; as velhas mercearias deram lugar aos mini e supermercados, o mercado diário, peixarias, restaurantes, estabelecimentos dos mais variados ramos, não esquecendo a velha taberna, que fiel à boa tradição Ribatejana, continua a exibir o bom vinho carrascão, e a desempenhar a mesma função social de outrora.

Pontével, é pois uma terra onde hoje apetece viver.


Pontével, 2003, revisto em Novembro 2005
Escrito por: Maria Zelinda Pêgo, lic. em História.

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